Sempre amei o seriado Divã, que foi inspirado no filme de mesmo nome - acho a maneira como os temas são abordados sensíveis e reais, e apesar da minha diferença de idade com a personagem principal, a Mercedes, me sentia familiarizada com suas aflições e reflexões. Mas foi na última terça-feira (o último capítulo da temporada, infelizmente) que o tema me atingiu de uma maneira impressionante...
A Mercedes ficou completamente transtornada com a morte repentina de uma amiga, que nem era tão próxima dela, mas que fez com que ela levantasse diversos monstros adormecidos em seu coração... A amiga era super bem humorada, divertida e aproveitou muito sua vida, por 50 anos. Além do hilário "piti" ao procurar um médico e achar que poderia estar com todos os problemas de saúde possíveis, Mercedes passou a encarar a vida de outra forma, aproveitando pequenos momentos, desfrutando prazeres e companhias.
No episódio valeu até um diálogo da Mercedes com um de seus filhos, em que ela diz que "viver é morrer um pouco todos os dias", e ele responde que "o certo então, é morrer um pouco todos os dias por muitos e muitos anos!".
Há pouco mais de um ano, eu perdi uma amiga muito especial. A conheci no México, fazíamos várias aulas juntas na faculdade e saímos algumas vezes, mas não éramos muito próximas. Mas a Fer tinha um jeito especial, era impossível não gostar dela...era linda, cheia de vida, estilosa, divertida, ela era tão "ela" que fica difícil descrever.
Usava ked's coloridos, e as unhas costumavam ser rosas, tinha um cabelo cacheadíssimo e lindo (ela vivia com vários acessórios - lenços, tiaras...), de olhos claros e pele morena! Nas aulas, usava óculos de grau - era verde limão e eu sempre quis um assim, me lembro que quando disse isso a ela, me respondeu que me venderia porque queria mesmo trocá-los. Mas nossa negociação acabou não acontecendo, não me lembro porque.
Virava e mexia eu dizia que ela tinha de conhecer São Paulo, porque a cidade tinha tudo a ver com ela e que iria amar! Ela respondia, entusiasmada, que queria mesmo conhecer e acrescentava o "Carnaval Brasileiro" como outro destino - consigo me lembrar da maneira como falava!
Quando a Fer me encontrava com minhas duas amigas - que viajaram comigo desde o Brasil - ela nos saudava: "Hey Brasils" e a gente respondia: "Hey México!" - era como um ritual! A verdade é que ela era uma pessoa muito marcante, tinha esse dom, nunca passava desapercebida, tinha personalidade e carisma! Um dia, nos fez pegar carona com uns desconhecidos para irmos de uma festa à outra (impossível não rir lembrando desse dia) e fez o tal motorista mudar completamente a rota dele, para nos levar na porta da balada! Foi completamente maluco e engraçado!!!
Enfim...meu intercâmbio no México acabou, e na despedida choramos enquanto nos abraçávamos.
Alguns meses depois, veio a notícia triste e chocante, um acidente tinha levado a Fer. Eu simplesmente não conseguia acreditar!
Quando recebi a notícia estava na faculdade, tive que trabalhar a tarde toda - aquele dia pareceu ter mil horas e a única coisa que eu queria era chegar em casa. Nem consigo explicar o que eu sentia, era um misto de revolta, com saudade e muita, muita tristeza. Perder alguém querido é sempre terrível, mas quando a pessoa é jovem parece injusto, desleal. A morte dela realmente mexeu comigo.
E mexeu, não só pela tristeza, mas também na maneira como passei a ver as coisas... passei a refletir diversas atitudes que tomava, comecei a dar valor à pequenas coisas - umas que talvez eu nem notasse - porque percebi o quanto a vida é sensível e frágil, e não sabia quando a minha ou a de outras pessoas queridas, iria acabar.
Claro que com o tempo acabei esquecendo desses valores por diversas vezes, mas sempre voltava às minhas reflexões sem fim, que me remetiam diretamente à lembranças carinhosas da Fer. Acho que onde ela estiver, estará feliz por saber o quanto mudou a minha vida e quanto se mantém viva nos meus pensamentos - nos meus e de todos que a conheciam...o contrário seria impossível, ela foi realmente marcante. Agradeço demais por tê-la conhecido.
E só para terminar o assunto...ano passado, num dia específico, fiquei o dia inteiro pensando nela e quando entrei no facebook, vi que aquele era o dia de seu aniversário. De fato, ela é especial!
Smaniaaa! =)
ResponderExcluirMto fofis, tocante e arrepiante seu post. Às vezes deixamos, de maneira tola, pequenos sentimentos mesquinhos e ruins decidirem nossas vidas. Passamos a reclamar, resmungar, quando na verdade temos motivos sim, para agradecer e ser FELIZ! FELIZ por ter amigos, assim como vc, que tbm são especiais e fazem diferença em nossas vidas. Estou em um momento punk in my life(e vc sabe pq...), e esta semana voltou a ser tensa... mas ao ler seu texto jornalisticamente(hehehe) redondo, que prende o leitor do começo ao fim, REFLETI!
E é isso que vale a pena!
Saudades! Não vamos deixar os pequenos nem os microscopicamente nanicos momentos se passarem... =)
Bjinhosss
Carol Paes
É Giu, verdade... por mais que a correria do dia-a-dia, a irritação que acumula de besteira sobre besteiras, e as experiências não muito amáveis que temos que passar diversas vezes, nos tire essa sensibilidade da fragilidade da vida, temos que tentar sempre lembrar isso. O que é ontem já passou e não tem como voltar, não tem. Se seu ontem foi bonito, marcante, assim como o da Fer,então vc sabe que está fazendo as coisas como deveriam, e vc tá né gatona? Giu, escrevi um comentário enorme no outro post e nao foi, aí fiquei TÃO irritada, pq estava realmente grande, que desisti, mas ri um pouquinho com sua situação. Na cama com 3 casais se bjando? OMG por favor!!
ResponderExcluirbeijinhos linda!
giu...
ResponderExcluiraté me arrepiei com esse final.
as pessoas passam pela nossa vida por algum motivo! elas nos ensinam muitas coisas, sempre. mesmo aquelas que a gente não gosta muito...
acho que o importante é sempre lembrar que morremos um pouco todos os dias, e aproveitar cada pedacinho dele...
quando você fala dessa sua amiga, eu penso no Bruno.
e sei exatamente como você se sente hoje... e também senti algo muito parecido. o chão abre nos nossos pés, as coisas parecem perder o sentido... a não ser que o que eles tenham a nos ensinar seja exatamente isso... o sentido das coisas. aproveitar os pequenos momentos... enfim...
eu leio seu blog, e você sabe que eu me identifico!
cada pedacinho....
amo você!
Carol, Mari e Tatá...vocês são lindas! Obrigada!
ResponderExcluirTatá,eu não sei o que aconteceu com o outro post, várias pessoas tentaram comentar e não conseguiram...mas de qualquer forma, a situação foi cômica! hahaha
Mari, esse sentimento de tristeza acaba passando com o tempo, mas a saudade é interminável né?
E NÓS nos identificamos..amo vc :)
beijoooos